Publiquei o último texto impulsionado pelo sermão que preguei no domingo dia 05 de dezembro . Já no final do culto Rodolfo procurou-me para mostrar na tela do seu iPod o poema que havia surgido inspirado pelo sermão. Gostei de imediato do que vi e pedi para que ele me enviasse por e-mail. Depois fiquei sabendo que outros poemas haviam sido inspirados por mensagens que compartilhei com a Igreja da Aliança onde o conceituado jurista é membro. Me animei com a parceria.
Na quinta tive mais uma surpresa, o Rev. Mauricio Galvão, então presidente do Presbitério Soteropolitano em seu sermão de abertura da XIII Reunião Ordinária daquele concílio cita, a título de introdução e na íntegra, o texto publicado no Canteiro. Essa repercussão me motivou a pedir a Rodolfo Pamplona que compartilhasse com aqueles que ainda não conhecem o seu imenso talento poético, aquele poema de beleza rara. Sorvam cada palavra sem pressa e com o coração.
AFA Neto
Quando a paixão acabar
Rodolfo Pamplona Filho
Quando a paixão esfriar
e só o amor ficar,
duas vezes vou pensar
antes de me revoltar
com a comodidade
que vem com a idade
ou com a rotina
de usar a mesma cortina
ou do uso crítico da ironia
para combater a monotonia.
Quando a paixão parar
e só o amor ficar,
despertarei a madrugada,
ainda que para fazer nada,
mas só pelo imenso prazer
de um novo dia conhecer,
mesmo reconhecendo-se sem rumo,
pela falta de aprumo,
com a falsa sensação de liberdade
de uma marionete de verdade.
Quando a paixão terminar
e só o amor ficar,
saberei que o fogo do sexo
não é essencial, nem complexo,
e terei plena certeza
de que a vida vai além da mesa
e que há gozo na obediência,
desprezando a displicência,
cansando da loucura
de procurar sempre uma aventura.
E pensar que...
E sonhar que...
E permitir que...
E decidir que...
E reconhecer que...
E, finalmente, saber que...
que, sim, a desejada paixão
vai me deixar, um dia, na mão...
quando a paixão acabar,
só o amor vai me salvar...
Salvador, 05 de dezembro de 2010.



