Todos sabem o quanto o fazer poético requer ambiência. Ou seja, a interação adequada entre o mundo interior e o mundo exterior. Os dois mundos não precisam estar necessariamente vivendo a mesma experiência, mas se requer um mergulho introspectivo para poder conectá-los e produzir poesia. Por isso, o fazer poético se recusa a ser tiranizado.
Falo essas coisas para publicar a seguir um poema de meu filho Leonardo (13 anos), surgido em sala de aula como cumprimento de uma proposta avaliativa da disciplina de Redação hoje pela manhã. Conheço a habilidade de Leo para a escrita, mas produzir um poema deste numa circunstância tão árida, sugerida por uma cena retratada por uma fotografia de uma mulher solitária num cáis olhando para o horizonte, me impressionou.
Vejam aí:
AMOR PLATÔNICO
Olho para a paisagem sem foco
E espero meu olhar encontrar
O daquela que amo aos poucos,
Enquanto as ondas balançam no mar
Desejaria tê-la aqui
Me aquecendo desse vento
Que sussurra para mim
Coisas confusas desse momento
Leo Alves




