Liguei o PC e pra onde navegava encontrava caras de jogadores e do Dunga estampadas bem no centro da tela. Não era pra menos. Ontem saiu a convocação da seleção brasileira (e de todas as outras) para o mundial do mês que vem. O que mais ouço e leio são críticas à convocação do Dunga. Os adjetivos são os mais “carinhosos” possíveis. Ontem zapeei por alguns canais e vi muita gente indignada com a lista. Rivelino, que jogou tanta bola, era um deles. Quero expressar minha opinião e penso que vou na contra-mão da turma. Vamos lá.
Não há o que gostar numa convocação de seleção para a copa. A gente concorda ou discorda, mas é preciso entender que essas atitudes devem ter um mínimo de racionalidade e racionalidade requer critérios. Pelos critérios adotados pelo Dunga, não havia outra possibilidade de escolha. Eu, por exemplo, não entendo como um desvairado e inconstante emocional como o Felipe Melo não perdeu a vaga para o Tiago Mota que anulou o mauricinho argentino sem fazer uma falta. Mas verdade seja dita: jogando pela seleção brasileira, o doido da Juventus tem se saído razoável. Concordo com a convocação e digo por que:
Há oito meses atrás essa seleção, do mesmíssimo jeito que está aí, era tida como a grande favorita pelo mundo inteiro. Talvez se falasse em Espanha e Holanda, mas nunca com a mesma veemência com que se falava do Brasil. Dizia-se que era uma equipe forte, com um futebol vertical, rápida e ao mesmo tempo sólida na marcação. E ao contrário de outras boas seleções brasileiras, essa era tida como uma equipe que sabia lidar, dentro do jogo, com situações adversas. Ganhou, e bem, tudo que disputou.
É verdade que o tempo passou e alguns jogadores caíram de produção em seus clubes, mas é preciso avaliar isso com menos paixão e sensacionalismo. O Kaká não vem bem e dependemos muito dele, mas não tenho dúvida que veremos um Kaká diferente na copa. Com uma vantagem: os holofotes estarão sobre Cristiano Ronaldo e Messi. Sejamos honestos: mesmo quando a mídia incensava Ronaldos e os outros meninos do Santos, quem chamava o jogo e dava o tom da equipe era o Ricardo Izecson. Na Seleção, é outra história e lá parece ser a sua casa.
Ouvi muita coisa do tipo: “nós vamos sofrer com esse time”, “1 a 0 será goleada”, “é um time sem criatividade”. Quanta incoerência! Se o time titular é o mesmo de um ano atrás essas pessoas estão se contradizendo. Se vocês me disserem que as outras seleções melhoraram em oito meses numa proporção que deixou o Brasil tão lá pra trás, eu quero esperar pra ver. Agora, dizer que esse time piorou tanto nestes últimos meses, a ponto de ser motivo de chacota e descontentamento, isso é babaquice.
Vamos ganhar a copa? Não sei. Uma coisa sei: O time para disputar é esse mesmo. Agora como sou torcedor, espero que de alguma forma o Ganso vá para ser uma alternativa ao Kaká ou até mesmo jogar ao seu lado.
Abração
AFA Neto








