Recebi a revista Ultimato de Janeiro-Fevereiro e devido às ferias só agora pude ler. Dois artigos me chamaram a atenção: o do Paul Freston “Sobre a participação evangélica na campanha eleitoral de 2010”e o do, até então desconhecido para mim, David Allen Bledsoe Ä preocupação com o neopentecostallismo”. Ambos com nomes de gringos (o primeiro eu sei que é) mas, com habilidades teológicas e literárias completamente diferentes. O Freston dá um show de compreensão do processo politico do ano passado e como o povo evangélico se fez presente nele. Diria que é leitura imprescindível para qualquer pessoa interessada no assunto.
Já o articulista com o pomposo título de doutor na África do Sul escreve um texto lamentável. Não consegui me furtar à tentação de pontuar algumas discordâncias em relação ao seu discurso. Entretanto, deve ficar claro que não tenho a intenção de defender a IURD (Igreja Universal) e igrejas congeners. O leitor deste espaço já se deparou com críticas minhas à turma do Edir. O que para mim é intragável, é essa missiologia conversionista e amparada na arrogância que salta aos olhos de qualquer leitor mediano quando se depara com o texto. Poderia analisar cada parágrafo do texto e tecer críticas, contudo, transcrevo a “pérola” do artigo:
“Durante a pesquisa me perguntei: ‘Existe alguem realmente salvo na IURD?’. Minha conclusão é: se existe, não é por causa da igreja, mas apesar dela”.
Dificilmente alguem conseguiria superar o articulista em sua capacidade de condensar arrogância religiosa, incoerência teológica (inclusive com seus próprios postulados) e imprecisão científica (já que se trata de um resumo de sua tese de doutorado). Com base em que o David Bledsoe questiona a Igreja Universal como locus da manifestação da graça salvadora de Deus? Acaso o Deus da teologia conversionista está preso à geografia do santo e do profano tão cara a ela? E quando ele questiona sobre o poder da IURD para salvar, será que ele se deu conta do absurdo teológico? Nem a Universal e nem nehuma outra denominação ou religião tem o poder de salvar quem quer que seja. Essa é uma prerrogativa da divindade. E ela faz onde quer, em quem quer e usando os meios que melhor lhe parecer.
Fico por aqui. Abraço.
AFA Neto






