
Vivemos várias vidas ao longo da nossa existência terrestre. E não estou falando de personagens ou papéis sociais, nem tampouco de teorias reencarnacionistas. Falo de mundos novos e diferentes que às vezes somos forçados a criar e outras vezes temos que nos adaptar. Diante da vida como se apresenta a nós, criamos conceitos e expectativas; sonhamos e no pomos em lutas constantes para realizá-los; planejamos e esperamos que as coisas saiam mais ou menos como idealizamos. Mas, de repente algo acontece e nosso mundo é engolido. De um dia para o outro, muitas vezes sem qualquer aviso, o mundo que levamos toda uma vida construindo deixa de existir. Algo que sabíamos que poderia acontecer, mas não acreditávamos que pudesse acontecer conosco, cai sobre nossa cabeça.
Não adianta remendos. A gente até tenta, mas não encontra mais a mesma cor e modelo. Os acordes da nova melodia soam estranhos aos ouvidos acostumados com as canções anteriores. Parece uma ofensa. Aí vem a crise com sua perversa fisiologia. Primeiro o choque diante do nosso mundo em escombros para, logo em seguida, nos recusar a aceitar o que está diante de nós numa atitude de negação. Mas, não há como negar por muito tempo, então somos tomados por uma raiva incontida de tudo e todos, sabendo que esse “todos” inclui principalmente a nós mesmos. A fase seguinte é para criar falsas esperanças e, sobretudo, tentar negociar com Deus uma saida menos dolorosa. Coisas do tipo: Se preservares algumas coisas eu prometo que me torno uma pessoa melhor. O que se segue é a prostração completa.. O desespero, a depressão, o desânimo e a atitude de não ter atitude. É o lamento. Mas ele não pode durar toda a vida. É preciso recomeçar. Ainda mais porque carrego a certeza de que muitas outras dores e muitos outros sofrimentos me aguardam. É preciso assimilar o golpe e preparar este corpo cansado para os dardos que o atingirão.
Então, lá vou eu na direção do possível, mas impulsionado pelo impossível. Objetivando o impossível, mas limitado pelo possível. Um mundo ficou para trás e uma vida se esvaiu. Agora é dar prosseguimento à criação renomeando a natureza como fizeram os primeiros moradores do Jardim do Éden. É assim que tornamos amigável o desconhecido. Quando damos nomes às coisas nos tornamos um pouco próximos a ela, pois tornamo-las nossas. Agora é tomar consciência da minha nudez e decidir se vou me esconder e fugir ou se vou coser uma precária vestimenta e me aventurar pela vida afora.
Não sei o que me espera e nem como agir. Meus olhos ainda estão encharcados e tudo diante de mim é turvo e indiscernível. O vigor se esvaiu como o de um homem centenário acossado por dores e desalentos. Os muitos se foram e os poucos que ainda restaram seguirão o seu caminho. Na verdade todos eles ficaram atrelados à vida anterior. Mas me levanto, ainda cambaleando, e tento seguir em frente com uma certeza/desejo: aconteça o que acontecer, Deus vai seguir comigo.
AFA Neto
Ele o Senhor da história sempre caminha ao nosso lado e luta por nós.
Essa é uma das poucas certezas que ainda tenho. Te amo muitão.
Não temprestade que não esteja sob o controle do altíssimo. E elas são nossas escola contante.
Grande verdade, meu chapa. Aconteça o que acontecer, Deus vai seguir conosco.