
Não é tarefa das mais fáceis. A sedução dos bens materiais sempre foi grande em todos os momentos da história. Mas, nas culturas orientais (onde o texto bíblico nasce) a dimensão imaterial da existência tinha o seu lugar na vida cotidiana das pessoas. Hoje, no ocidente, qualquer cultivo da transcendência soa exótico.
Daí a importância de considerarmos esses alertas que o terceiro evangelista põe nos lábios de Jesus a respeito da maneira como lidamos com a vida material.
5. A Hipervalorização da matéria tira de nós a generosidade -16,17,18
Perceba que ao produzir mais do que precisava e poderia armazenar, aquele homem nem cogita a possibilidade de doar.
Deixamos de enxergar outro. Nossas necessidades ganham um tamanho descomunal e no mundo só cabe nosso ego.
Entre os versos 17-19 as expressões eu, meu/minha ocorrem 12vezes.
6. A Hipervalorização da matéria pode desenvolver em nós uma independência em relação a Deus - 19
Quantas vezes confiamos nosso futuro aos bens que amealhamos, à estabilidade do emprego ou à previdência que estamos construindo?
Vamos empurrando Deus cada vez mais para áreas marginais da nossa existência. Esse parece ser um dos efeitos colaterais da tão propalada "emancipação do sujeito".
Deus passa a existir apenas em nossos credos e nos intervalos litúrgicos da vida, pois no restante, nos viramos bem sem ele.
7. A Hipervalorização da matéria rouba de nós a consciência de finitude - 20
Temos prazo de validade. Nossa vida é bem mais curta do que nossos bens sugerem. Quantos de nós juntamos recursos materiais suficientes para três gerações?
A pergunta desconcertante do texto chama nossa atenção para essa dura realidade: "o que tem conseguido, quem há de desfrutar?"
8. A Hipervalorização da matéria torna-nos mendigos espirituais - 21
Vivemos no mundo mais empobrecido espiritualmente da história. Uma abundância de bens materiais (concentrado nas mãos de pouquíssimos - é verdade) contrastando com uma mendicância espiritual que salta aos olhos.
Por mais que tentemos amenizar os ensinamentos de Jesus sobre a riqueza, não podemos fugir de uma equação que perpassa todo o Evangelho: quanto mais ricos materialmente, mais pobres espiritualmente.
Afa Neto
Muito bom e tenho refletido sobre o estudo explanado no domingo, Neto