
Por ter sido gestado no cativeiro individual do seu autor e ser dirigido a um povo sob dominação política, econômica e cultural, entendi que a melhor maneira de fazer uma ponte inicial com o livro do final do primeiro século da era cristã era através de uma música que nasceu também sob um regime de exceção. Li os oito primeiros versos do capítulo um e então comecei com os acordes de O Bêbado e o Equilibrista, canção de João Bosco e Aldir Blanc, e o povo da igreja cantou com paixão entendendo perfeitamente a proposta. Já poderia ter parado por ali e tenho certeza de que já sairíamos do templo alimentados, mas resolvi compartilhar algumas intuições que falaram ao meu coração no decurso da semana.
Como não poderia deixar de ser, fiz uma incursão sobre o significado do termo apocalipse e ressaltei que a palavra nos conclama ao desvelamento de uma determinada realidade. É tirar o véu, mostrar o que está aí mas ainda não foi visto. Não se trata de um exercício de futurismo, de adivinhação, como querem muitos afeitos a uma interpretação eminentemente escatológica do livro. Trata-se de um exercício de leitura da realidade presente. Um apocalipse verdadeiro é aquele que nos ensina a enxergar; que nos faz perceber o que sempre esteve debaixo dos nossos olhos e não fomos capazes de ver. Só seremos capazes de manter a esperança em tempos de desilusão quando aprendermos a olhar a realidade à nossa volta com discernimento e perspicácia.
Em seguida chamei a atenção para a primeira das sete bem-aventuranças do livro do Apocalipse que está no verso terceiro. O texto retoma uma máxima muito cara ao Senhor Jesus: Palavra tomada como mero conteúdo intelectual, como acúmulo de conhecimento, é edificação sem alicerce. Está fadada a cair ao primeiro sinal de ventania. "Feliz aquele que lê e felizes aqueles que ouvem e guardam as palavras deste livro". O melhor lugar para guardar lições é em nossas entranhas. Quando transformamos palavras em atitudes encontramos o melhor esconderijo para os tesouros da Palavra de Deus. Ninguém consegue alimentar um tênue fio de esperança, que seja, com conhecimento teórico.
Gosto particularmente da saudação do autor no versículo quatro: “A vocês, graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, dos sete espíritos que estão diante do seu trono, e de Jesus Cristo…” (grifo meu). O que transformamos em mera saudação desprovida de sentido, era, na pena do escritor do Apocalipse, uma poderosa mensagem de alento. Em tempos turbulentos e incertos como aqueles e estes que vivemos, poder desfrutar da paz da Trindade, é um auxílio inestimável. Agora perceba que a paz é casada com a graça e decorre desta. Não pode existir paz num mundo regido por regras frias e por um sistema retributivo. A verdadeira paz só brota num ambiente onde o favor imerecido do nosso Deus invadiu nosso coração e relacionamentos de maneira impactante.
E para finalizar minha reflexão na noite passada, nos deliciamos com o verso sete: “Eis que ele vem com as nuvens e todo olho o verá”. O “encontro triunfal” nas palavras da bela canção do Grupo Elo (Autor da Minha Fé), imortalizada na voz de Paulo Cezar. O reencontro com nossa história revisitada à luz da historia da salvação. O dia em que a espera é recompensada, a criança chora para a nova vida e Deus poderá ser visto de braços abertos nos convidando ao abraço caloroso e demorado do Pai. Então sussurrando em nosso ouvido Ele dirá: “Eu sou o alfa e o omega, o que é o que era e o que há de vir; o Todo Poderoso”.
Aleluia.
AFA Neto
Como vc, eu também tinha medo das interpretações que ouvia sobre o Apocalipse. Lembro-me que quando criança, a minha avó, crente da Assembléia de Deus, falava-me de uma forma que na minha infante imaginação, chegava a ser horenda. Hoje, homens de Deus, estudiosos , mais criteriosos e que pelo Santo Espírito nos revela uma forma mais clara e concisa, torna-se mais prazeroso em estudar o santo livro. Linda e inspirada mensagem. E o grupo de louvor, uma unção que alegra o coração da gente. Como fui renovada espiritualmente com este momento na Casa de Deus. Que Deus continue a abençoar o seu ministério. Um abraço.Miriam Miranda Santos