
E o vazio no peito transbordou e vazou para todo o resto.
E as centenas de milhares de palavras que proferidas, lidas ou ouvidas, não foram suficientes para amenizar o sentimento de solidão.
E as centenas de pessoas com as quais se cruzou todos os dias não transmitiram a sensação de que realmente se era notado.
E milhões de informações às quais ficou exposto diariamente não apontam para lugar algum.
E a infinidade de conexões que se estabeleçeu todos os dias não transmitiram a certeza de que havia comunicação.
E as dezenas de grupos que se fez parte não passaram a mínima convicção de que se pertencia a algo relevante.
E o excesso de exposição da privacidade e das emoções não fizeram sentir compreendido.
E o esforço louco para consumir mais e mais não conseguiu trazer a menor satisfação.
E restaram o vazio, o nada, a solitude, a invisibilidade, o desnorteamento, a incompreensão, a insignificância, a coisificação e, de novo, o vazio.
E houve o grito. lançou-se a fúria ao vento; sem direção, às vêzes na contra-mão, contra tudo e todos, inclusive contra si mesmo.
Com causa e sem causa, com medo de perder o que nunca se teve e sem nada a perder senão o que poderia ser.
E o caminho não levou onde se pretendia chegar.
E o caminho chegou ao fim.
Volta-se ao ventre. Nasce-se novamente.
Toma-se um novo Caminho.
E o vazio se fez pleno.
E a vida recomeçou: para agora e o depois.
Afa Neto