
A primeira pergunta diz respeito à nossa familiaridade com as Escrituras. A segunda dialoga com nossas cosmovisões. A primeira pode revelar que, apesar de termos familiaridade com a Escritura, podemos não desfrutar de intimidade com o Deus da Escritura. Conhecer o texto não é conhecer o seu autor.
A segunda pergunta nos ensina que nossas aproximações da realidade se dão de maneira interpretativa. A rigor, não há fatos, só interpretações. É aí que entra a cosmovisão. Ninguém lerá diferente se continuar usando os mesmos óculos o tempo todo. Só lemos o que queremos. Ou melhor, o que a nossa cosmovisão nos permite interpretar.
Essa última pergunta é revolucionária. A um religioso que nutria grande familiaridade com os textos sagrados e cultivava profundas convicções dogmáticas, Jesus sugere que apesar de todo esse aparato, a sua leitura poderia estar equivocada (ou pelo menos apequenada).
Afa Neto