
A CABANA/ William P. Young [Tradução de Alves Calado]. – Rio de Janeiro: Sextante, 2008.
Uma irmã de nossa igreja (Helena) já havia me interrogado a respeito do livro publicado pela editora Sextante. Ouvi alguns comentários de colegas e amigos, bem como li, em algum lugar, uma resenha sobre o livro. Prometi a ela que leria o texto e depois trocaríamos nossas impressões a respeito da leitura. Fazia planos de tomá-lo emprestado de um colega, quando o livro chegou à minhas mãos via presente da Helena. É desnecessário dizer que adorei a sua iniciativa e gostaria de recomendá-la a outras pessoas (rsrsrsr). Então, o que se segue é de certa forma um início de conversa com a esposa do Dener e a mãe de Aline e Gabriel e com todos aqueles que querem compartilhar conosco das intuições de William P. Young.
O livro é um best seller e isso depõe contra ele. Imagina-se uma leitura vulgar e de puro entretenimento. Não é. Convenhamos que o norte-americano está longe de um Hemingway, mas a sua perspicácia não pode ser desprezada. O livro é bastante útil e oportuno. Edificou-me bastante e por isso gostaria de recomendá-lo, apenas fazendo algumas observações.
O texto é ficcional, portanto, é nessa perspectiva que ele precisa ser lido. Por conta do descumprimento dessa regra, anos atrás, a igreja sofreu muito com a leitura de outra ficção: Este Mundo Tenebroso do Frank Peretti. Na época, as pessoas começaram a imaginar uma realidade espiritual nos moldes descritos pelo livro. Essa postura chegou ao cúmulo de tomar a fantasia por realidade. Isso nunca deve acontecer.
A Cabana é um texto que nos leva a repensar vários conceitos enraizados em nós a respeito de Deus e da Religião, numa perspectiva profundamente bíblica. O autor procura perpassar alguns dos principais temas da vida com Deus como Trindade, perdão, oração, rituais, etc. Contudo, o que mais gostei no livro foi sua capacidade de tocar em temas atuais e ainda pouco explorados nas igrejas cristãs de cunho mais conservador . Gostei, porque serve de uma provocação ao diálogo.
Só para mencionar, gostei de o autor ter tocado na questão de gênero ao apresentar uma Trindade mais feminina do que masculina, sem se perder no discurso panfletário das teólogas feministas. A personificação patriarcal da divindade tem trazido mais problemas do que soluções.
Outra questão que merece uma abordagem pelo autor está relacionada à ecologia. O texto chama nossa atenção para uma espiritualidade que tem implicações ambientais profundas. O Deus criador é também o dono da criação, e nós somos mordomos/jardineiros desse jardim legado a nós por Ele.
Vale à pena a leitura.
Abraço e que Deus nos abençoe,
AFA Neto
Eu também li e gostei. Tenho recomendado para outras pessoas.
http://nenapa.blogspot.com