
Houve uma época em que os temas considerados tabus no meio evangélico eram Política e Sexo. Para evitar mal entendidos e conseguir agradar a gregos e troianos, era de bom alvitre evitar estes temas ou evitar o primeiro e ecoar o discurso do meio no segundo. Hoje esses temas não são mais tão impronunciáveis. Como nunca falamos de política, nos tornamos o segmento mais despolitizado da nação e, consequentemente, o paraíso dos políticos sem ideologia e inescrupulosos. O discurso sobre sexo nunca conseguiu ir alem das proibições moralistas e hipócritas dos mais velhos sobre os mais jovens. Consequência: Por completa inaptidão para lidar com a própria sexualidade, jovens de ontem e de hoje viveram e vivem em completa cumplicidade com a mercantilização do sexo em nossos dias.“Nenhuma referencia à dita promessa por um Deus de uma terra sagrada pode
justificar os excessos cometidos por um exercito de invasão e ocupação – nem os
massacres de inocentes a sangue frio, ordenados por senhores da guerra fanáticos
em nome da resistência.” (Breyten Breytenbach – Poeta sul-africano em Carta
aberta ao, então, primeiro ministro de Israel Ariel Sharon- 2002).
Depois do advento do chamado neopentecostalismo, o grande tabu que se estabeleceu na igreja evangélica está relacionado à questão palestina. A ordem é reproduzir a visão da grande imprensa ocidental e americanizada de legitimação dos atos bárbaros de Israel no Oriente Médio. Motes como Terra Prometida, Povo Escolhido, Israel de Deus, Terra Sagrada, dentre outros, são transformados em armas ideológicas para demonizar o povo palestino e sacralizar o judeu israelense.
Na era dos menorás, candelabros e estrelas de Davi, os púlpitos se calam para qualquer denúncia contra as ocupações israelense nos territórios palestinos. Parece que o Evangelho vivido em nossos dias não tem nada a dizer quanto ao fato de Israel ter 5% da população de 1.200.000 da Faixa de Gaza e, no entanto, controlar 62% do território. Parece-nos natural que o “Povo de Deus” drene a água do subsolo palestino e depois venda a este povo massacrado essa água. Seria normal construir estradas muito boas cortando a Cisjordânia e proibir de transitar nelas os verdadeiros donos das terras, condenando-os a enfrentar estradas péssimas e ser humilhados nos postos de controle? O que dizer do fato de que de cada quatro palestino da Faixa de Gaza três são refugiados, expulsos de suas casas por Israel em 1948? Definitivamente, isso me parece anticristão e humanamente criminoso.
Essa questão me perturba há muito tempo e hoje me senti com desejo de escrever motivado pelos textos do livro “Viagem à Palestina” (Ediouro). Apesar dos 7 anos que nos separam dos textos e de não termos mais a figura de Sharon, pouca coisa mudou. Aquele povo palestino continua sendo humilhado, massacrado e vilipendiado. Como os patrões dos Israelenses moram em Washington, esperamos que Obama ajude efetivamente a pôr termo neste banho de sangue.
Deus tenha misericórdia de nós!
AFA Neto
Concordo com você, Neto. A Questão Palestina aflige minha alma há muito tempo. Temo que muitos cristão cometam pecado e um grave erro teológico ao apoiarem Israel de forma incondicional. Que evangelho é este que apóia o roubo de terras, a humilhação, o assassinato, o cinismo e a mentira de um país em nome de um Deus? O evangelho de amor não pode ser o evangelho da força e da arrogância.