
No consultório do oftalmologista li uma entrevista com um especialista britânico que falava sobre o extraordinário aumento da expectativa de vida. Segundo o entrevistado, num futuro nao muito distante, será razoável pensar em viver até mil anos. Os fatores que provocam a morte das células do nosso organismo serão combatidos eficazmente, de modo que seremos capazes de prevenir o aparecimento das principais doenças que provocam a morte de boa parte dos seres humanos.
Fiquei feliz e apreensivo. Alegrei-me com a boa nova do prolongamento da vida e apreensivo para saber quando isto estará disponível. Pensei: se sobrar para mim uns duzentos aninhos bem vividos, já me dou por satisfeito. Tenho alguns projetos e muitos sonhos e sinto que agora estou em condições de tocá-los com mais maturidade do que quando eles surgiram há quinze ou vinte anos atrás. Começando agora, dentro de cinqüenta anos estaria em plena realização e, então, passaria outros cinqüenta curtindo o que construí. Por via das dúvidas vou a Santo Amaro aconselhar-me com dona Canô.
Em Salvador, neste final de semana, aconteceu a Cruzada Evangelística “Vida Vitoriosa Para Você”. Cerca de R$ 1.500.000,00 gastos na promoção e realização de um mega evento para alimentar esse famigerado triunfalismo cristão.
Agora, tentando concatenar as notícias e os pensamentos. Viver mil anos na toada deste estado de coisas pode ser trágico ao extremo. Essa caminhada a esmo de uma massa que não consegue discernir entre a mão direita e a mão esquerda; entre a vitória e o triunfo; entre a boa intenção e a periculosidade dos gestos; entre a piedade e a propaganda; entre a ousadia e a soberba; entre o apelo e a extorsão; é lamentável.
Viver mil anos para que? A maioria, com menos de 5% desse tempo já apresenta os sinais do cansaço existencial. Não tem projeto, não sonha, não vive; apenas sobrevive. Para estes, cada dia que vive não é uma dádiva a ser celebrada, mas uma batalha a ser travada com um desejo velado de tombar. A não existência seduz.
AFA Neto
Fiquei feliz e apreensivo. Alegrei-me com a boa nova do prolongamento da vida e apreensivo para saber quando isto estará disponível. Pensei: se sobrar para mim uns duzentos aninhos bem vividos, já me dou por satisfeito. Tenho alguns projetos e muitos sonhos e sinto que agora estou em condições de tocá-los com mais maturidade do que quando eles surgiram há quinze ou vinte anos atrás. Começando agora, dentro de cinqüenta anos estaria em plena realização e, então, passaria outros cinqüenta curtindo o que construí. Por via das dúvidas vou a Santo Amaro aconselhar-me com dona Canô.
Em Salvador, neste final de semana, aconteceu a Cruzada Evangelística “Vida Vitoriosa Para Você”. Cerca de R$ 1.500.000,00 gastos na promoção e realização de um mega evento para alimentar esse famigerado triunfalismo cristão.
Uma gigantesca fogueira das vaidades onde ardiam egos políticos e eclesiásticos numa combustão tóxica e inextinguível.Na segunda-feira tudo voltara ao normal. Passados os momentos de êxtase coletivo, todos continuavam “lascados” como antes. Vitoriosos? Alguns. Não exatamente aqueles para quem foi feita a promessa, mas aqueles que lucraram com ela a expensas do desespero de ignorantes e esclarecidos que afluíram maciçamente ao local.
Agora, tentando concatenar as notícias e os pensamentos. Viver mil anos na toada deste estado de coisas pode ser trágico ao extremo. Essa caminhada a esmo de uma massa que não consegue discernir entre a mão direita e a mão esquerda; entre a vitória e o triunfo; entre a boa intenção e a periculosidade dos gestos; entre a piedade e a propaganda; entre a ousadia e a soberba; entre o apelo e a extorsão; é lamentável.
Viver mil anos para que? A maioria, com menos de 5% desse tempo já apresenta os sinais do cansaço existencial. Não tem projeto, não sonha, não vive; apenas sobrevive. Para estes, cada dia que vive não é uma dádiva a ser celebrada, mas uma batalha a ser travada com um desejo velado de tombar. A não existência seduz.
AFA Neto
Altamente lucido o texto e a visão deste evento insano e desprovido dos valores do Reino de Deus. Por que não se aplicou os recursos investidos na imagem de um homem, na vida de tantos que sofrem a dependência química a ausência de creches, escolas, orfanatos, casas de repouso, cursos profissionalizantes...?
Viver mais do que a média estabelecida pela Escritura é absolutamente continuar sofrendo os males inerentes aos tempos pós-modernos, onde a mentira impera e Verdade como Revelada pelo Supremo Criador é rejeitada por quase todos.
Forte abraço, Neto.
Adilson Lordêlo.
Concordo em muito com o Adilson, mas questionar estas atitudes é no pior das hipóteses cansativo.
Outro dia escutei de um "fiel" a seguinte frase ao fazer um comentário sobre estes que se utilizam da (fé) fragilidade de muitos para se dar bem, que infelizmente o nosso País está cheio:
"Se não fosse coisa de Deus, Ele empataria de alguma forma"
É uma lavagem cerebral de grandíssima proporção...
Pastor, mais um assunto que deve ser questionado, e, mais do que isso, divulgado. Parabéns!
Humberto Souto
Netinho, se você viver mil anos verá muita coisa. Talvez ate a conversão do Silas Malafaia. Uma coisa eu tenho certeza que você não verá nem se viver 1.000.000.000.000 de anos, O VITÓRIA CAMPEÃO. KKKKKKKKKK
vc me surpreende a cada cronica sua. é exatamente isto que vc escreveu que eu penso. Fantastico.
Um cara foi ao médico e disse:
Doutor o que eu faço para viver 150anos?
O médico responde:
O senhor bebe,
Não.
Fuma?
Não.
Gosta de balada?
Não.
Sai com muitas mulheres?
Não.
Pratica esporte radicais?
Não.
Então o médico com certo sarcasmo, diz:
Sevocê não faz nada dosso pra que quer viver 150 anos.
Imagine 1000
1000 abraços.
Pois é Adilson,
Essa inversão de valores é que me espanta e revolta.
Creio que nada justifica atitudes megalomaníacas como essas.
Obrigado pelo seu comentário.
AFA Neto
Grande Humberto,
É realmente lastimável esse raciocínio do tipo "a coisa é esquisita, mas, se não fosse de Deus ele, de alguma maneira, impediria".
Se aplicarmos isso a todas as outras questões onde iríamos parar?
Como sempre, sua observação foi precisa.
Abração.
Meus prezados,
Como fico triste quando vejo comentários e textos como esses. Parece que conseguimos ter a ousadia e a coragem de falarmos e pregarmos uma coisa dentro das igrejas (e até fora dela) e esquecemos de outras coisas que a Bíblia fala como "não julgueis... pois com a mesma medida que medirdes, vos medirão também".
Me passa uma idéia, sem querer julgar, de inveja, por não poder fazer algo grandioso.
Será que estamos voltando ao pensamento mínimo da Idade das Trevas da Civilização Humana e mediremos os eventos pelo valor monetário do mesmo? Não seria melhor tentar medir (se é que conseguiremos) pelos frutos colhidos? Ou melhor ainda, não seria melhor não medirmos e deixarmos que Deus separe o joio do trigo?
Será que a Bíblia é a regra de fé e prática só para o que nos interessa?
Será que temos autoridade e
discernimento espiritual suficiente para dizermos que o pastor Silas Malafaia não é convertido? Será que almas não estão sendo salvas em funão de megaeventos? Não estamos querendo tomar o lugar de Deus e chegar ao absurdo espiritual de decidirmos quem está salvo?
Isso me faz lembrar a "Santa Inquisição" que condenamos tanto.
Amados, Deus é soberano e é o mesmo ontem , hoje e sempre será. Dou graças a Deus por pessoas que conseguem fazer de forma intensa o que a maioria não consegue fazer e atingir multidões.
Dou graças a Deus por pessoas que estão sendo convertidas em megaeventos, como em pequenos cultos (onde não se gasta quase nada).
Não vejo diferença de se gastar grande quantias de dinheiro em megaeventos e na construção de templos suntuosos, principalmente os que só ficam abertos em poucas horas da semana.
Amados, Deus é muito maior que tudo isso. Não queiramos colocar Deus do nosso tamanho.
Que Deus nos ilumine e continuemos tendo a Palavra de Deus como regra de fé e prática. Tanto em megaeventos como em pequenos cultos (por mais humilde que seja); tanto em megaigrejas, como igrejas humildes. Mas que todos sejamos MEGATEMPLOS do Espirito Santo.
Amém
Arlindo (membro da Igreja Presbiteriana da Aliança)
Olá Arlindo,
Seja bem vindo a este espaço. Quero incentivá-lo a expressar sua opinião com total liberdade, como quero dar aos outros iguais direitos.
Esse, certamente não é um espaço suficientemente generoso em quantidade de 'linhas' para aventarmos uma reflexão sobre os megaeventos, as megaintenções e os megaegos em contrastes com a singeleza e a simplicidade do Galileu.
Mais uma vez, manifesto o meu desejo de que vc continue expressando suas opiniões aqui.
Abração