
Era um ouvinte compenetrado dos sermões e estudos bíblicos. Era até ponto de referência para o pregador pela postura receptiva e o feedback que dava. Mas sua vida era uma mesmice.
Emcampava as programações sociais e espirituais extras com um envolvimento que encantava os líderes e os demais irmãos. Mas a sua vida era uma mesmice.
Lia teologia, consultava comentários bíblicos e chegou mesmo a ser professor da Escola Bíblica Dominical da igreja que frequentava nos últimos 16 anos. Mas a sua vida era uma mesmice.
Aprendeu a tocar um instrumento e ingressou na equipe de música da igreja. Emocionava a todos com suas habilidades musicais durante o período de cânticos espirituais. Mas sua vida era uma mesmice.
Conquistou o respeito dos demais membros da comunidade e se tornou conselheiro de jovens e adolescentes. Era procurado até mesmo por casais em crise. Mas sua vida era uma mesmice.
Convenceu-se de que não poderia ficar na dimensão de crente "comum" e resolveu ir ao seminário "estudar para ser pastor". Fez seminário, voltou e foi ordenado. Mas sua vida era uma mesmice.
Como pastor, mobilizou a comunidade com vários projetos que imprimiram uma excelente dinâmica ao modus vivendi da igreja. Mas sua vida era uma mesmice.
O tempo passou, a idade chegou, o vigor se foi, a solidão bateu, a doença se alojou, a morte visitou os seus, as decepções aumentaram, o futuro desapareceu e A PERGUNTA nasceu: Isso era tudo que a fé tinha para mim?
Foi quando Lameque se deparou pela enésima vez com as palavras de Jesus: "Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha.
Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha.
Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia.
Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda".
E o que era velho se remoçou, o conhecido o surpreendeu, o domesticado recobrou o espírito selvagem, o costume foi convertido em paixão, a letra se transformou em espírito.
A descoberta veio com o ímpeto de um enorme solavanco: Passei toda a vida em busca de novidades nos discursos que ouvia. Horas e horas atento ao que me diziam e ao que disse até constatar que tudo era tautologia. Nada era novidade. Tudo já conhecia. POUCO HAVIA PRATICADO.
Afa Neto