
1. É preciso ter uma relação de PERTENÇA para com nosso Deus. Quando o texto fala dos que foram "selados" para suportarem aos grandes acontecimentos da história, usa uma metáfora muito conhecida do mundo antigo. A marca/selo em uma pessoa ou coisa descreve um título de propriedade. A pessoa/coisa marcada pertence ao que imprimiu sobre ele o selo; portanto, desfruta da proteção dele. Mas precisamos ressaltar que a pertença a Deus implica em obediência total. Não faremos a nossa vontade, mas a daquele que nos tem. A grande questão naquele dia não será se aceitamos, recebemos ou se temos a Cristo, mas se Deus nos tem. Quem tem algo manipula o que tem a seu bel prazer 9é o que as pessoal estão fazendo hoje com Deus), mas quem é propriedade de Deus, precisa andar como ele nos ensinou.
2. Respeito à Diversidade. É isso que aprendo com o versículo 9 do cap. 7: "Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos". Quem poderá subsistir ao Grande Confronto da história são aqueles que aprenderam a conviver com as escolhas do Altíssimo. Gente de toda parte com todas as suas peculiaridades. Gente que pensa, age, concebe e faz opções diferentes. O projeto de uniformização dos costumes e das pessoas sob a égide do dogma é da igreja e não de Deus.
3. Santidade Ampla. Ainda no verso 9 lemos que essa multidão está trajada de vestes brancas num claro simbolismo que remete à pureza. Aqui é preciso repudiar qualquer projeto de santidade que fique reduzido à ética burguesa aferrada a uma meia dúzia de usos e costumes. Regras sobre vivência da sexualidade, geografia do santo e do profano, além de listas de diversões proibidas, só resultam em legalismo. Aqueles que estarão humildemente na presença do autor da nossa existência serão aqueles que pautaram as suas vidas por um projeto que resistiu a toda tentativa de reduzir a existência ao usofruto dos prazeres deste mundo. À corrida frenética pelo acúmulo de bens como se Deus não fosse um Deus providente. À banalização do sexo como se o ser humano fosse mercadoria. À mecantilização das pessoas como se fossem coisas.
4. Adoração como Expressão de Vida. Logo em seguida lemos sobre um derramar de expressões cúlticas por parte de todos aqueles que estão inseridos na cena. A questão é entender que essas expressões são muito mais do que palavras, elas são proferidas por gente que fez como opção de vida o difícil caminho da fidelidade a Deus. Não são palavras estereotipadas e vazias, são expressões que nasceram de corações agradecidos por se sentirem inseridos no projeto divino de um novo céu e uma nova terra.
5. A Esperança como Perspectiva. O cap. 7 termina com palavras que não encontram lugar em nosso mundo. Ausência de fome e sede; equilíbrio da natureza e resgate do sentido da existência. Todas coisas que parecem distantes da nossa realidade, mas que são colocadas no texto como fomentadoras do horizonte daqueles que caminharam junto ao Cordeiro de Deus. É o resgate da utopia cristã que buscamos e trabalhamos desde já, mas certos de que ela só existirá plenamente no depois.
E assim chegamos ao fim orando para que Deus nos confronte com estas palavras e nos impulsione a viver plenamente nossa cidadania terrena com os olhos postos em nossa pertença a uma outra realidade.