
Desenvolvimento Sustentável: Eis “a palavra” de ordem do momento. Há três décadas não se ouvia falar. Alguma coisa aconteceu para se colocar na pauta esse discurso. E o que aconteceu foi a capitulação de nossa sociedade à lógica do mercado. O capital elevado às últimas conseqüências. Num primeiro momento: produzir, produzir, produzir. Em seguida: consumir, consumir, consumir. Estamos neste segundo e alarmante estágio.
Não importa quem é você, do que gosta, com quem se relaciona, se está triste ou alegre, em que crê ou se não crê. Você será medido pela sua capacidade de consumo. É assim que o mundo nos vê. Como consumidores em êxtase nesse estranho ritual da oferta e da procura que, não raro, desemboca em antropofagia. A net nos lembra a vocação, a TV se ocupa em reiterar o destino, o out door aguça nosso desejo, o mundo não nos deixa esquecer: tudo é mercadoria. A vida é uma barganha.
A obra está completa: transformamos o mundo numa gigantesca feira livre. Objetos, pessoas, relacionamentos, sentimentos, tudo está aí para ser consumido. Como diria Francisco Bosco numa composição que fez a pedido do pai: “a manha é barganhar”. Barganhamos na família, no trabalho e na igreja. Barganhamos com entes queridos, com colegas e com Deus.
Criaram até um índice para medir nosso bem-estar: o PIB. O Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do território econômico de um país. Não importa se o governo é de direita ou de esquerda, a agenda sempre será econômica. E se você acha que, por não entender a linguagem do “economês”, isso é apenas um dado técnico sem grande influência sobre a sua vida, você se enganou. Saiba de uma coisa: não importa se você anda de BMW, mora em uma mansão de alguns milhões, almoça nos melhores restaurantes e faz da Europa o quintal de sua casa; ou se você vive do Bolsa Família, não tem teto, não tem o que comer e não sabe o que é uma viagem de férias. Ninguém, além de você mesmo, ta nem aí para sua riqueza ou para sua pobreza, o que importa é a soma de transferências financeiras que ajudarão a elevar o PIB. Ou seja, você é tão somente uma peça nessa engrenagem perversa do mercado.
Outra constatação chocante que nos advêm dessa lógica do capital “emblematizada” pelo PIB e que tem a ver com o título desse texto, devo a Jonathan Rowe e Judith Silverstein. Transcrevo: “Deixe de lado a exacerbação e a histeria e crescer significará apenas ‘gastar mais dinheiro’. Não faz diferença para onde o dinheiro vai e por que.” Governantes, políticos, economistas, a mídia e o povo enquadrado na lógica do capital celebram as conquistas do desenvolvimento. E o que não está sendo dito?
Milhares de carros vendidos diariamente significam mais dióxido de carbono na atmosfera e bilhões gastos em tratamento de doenças respiratórias com uma população cada vez mais doente. Números recordes na indústria alimentícia com a sofisticação dos alimentos também significam somas exorbitantes gastas para o tratamento de pessoas que sofrem com os males da obesidade e, de quebra, ainda engorda os cofres da indústria de cosméticos.
A malignidade dessa lógica não encontra limites. Leiam as palavras cortantes de Zigmunt Bauman: “O dinheiro troca de mãos quando alguém se torna inválido e o carro é totalmente destruído em um acidente automobilístico; quando advogados elevam seus honorários para cuidar de uma ação de divórcio; ou quando pessoas instalam filtros ou passam a beber água mineral porque a água potável não pode mais ser consumida”. Tudo isso eleva o PIB e é vendido no jornal da noite como progresso.
Desenvolvimento Sustentável não é discurso apenas para gente esquisita e ideológica; nem tema de faz-de-conta nas propagandas daqueles que mais contribuem para o desastre. É para todos, é necessário e é urgente nesses dias do consumo exacerbado antes que essa “zorra desabe”.
AFA Neto
Não importa quem é você, do que gosta, com quem se relaciona, se está triste ou alegre, em que crê ou se não crê. Você será medido pela sua capacidade de consumo. É assim que o mundo nos vê. Como consumidores em êxtase nesse estranho ritual da oferta e da procura que, não raro, desemboca em antropofagia. A net nos lembra a vocação, a TV se ocupa em reiterar o destino, o out door aguça nosso desejo, o mundo não nos deixa esquecer: tudo é mercadoria. A vida é uma barganha.
A obra está completa: transformamos o mundo numa gigantesca feira livre. Objetos, pessoas, relacionamentos, sentimentos, tudo está aí para ser consumido. Como diria Francisco Bosco numa composição que fez a pedido do pai: “a manha é barganhar”. Barganhamos na família, no trabalho e na igreja. Barganhamos com entes queridos, com colegas e com Deus.
Criaram até um índice para medir nosso bem-estar: o PIB. O Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do território econômico de um país. Não importa se o governo é de direita ou de esquerda, a agenda sempre será econômica. E se você acha que, por não entender a linguagem do “economês”, isso é apenas um dado técnico sem grande influência sobre a sua vida, você se enganou. Saiba de uma coisa: não importa se você anda de BMW, mora em uma mansão de alguns milhões, almoça nos melhores restaurantes e faz da Europa o quintal de sua casa; ou se você vive do Bolsa Família, não tem teto, não tem o que comer e não sabe o que é uma viagem de férias. Ninguém, além de você mesmo, ta nem aí para sua riqueza ou para sua pobreza, o que importa é a soma de transferências financeiras que ajudarão a elevar o PIB. Ou seja, você é tão somente uma peça nessa engrenagem perversa do mercado.
Outra constatação chocante que nos advêm dessa lógica do capital “emblematizada” pelo PIB e que tem a ver com o título desse texto, devo a Jonathan Rowe e Judith Silverstein. Transcrevo: “Deixe de lado a exacerbação e a histeria e crescer significará apenas ‘gastar mais dinheiro’. Não faz diferença para onde o dinheiro vai e por que.” Governantes, políticos, economistas, a mídia e o povo enquadrado na lógica do capital celebram as conquistas do desenvolvimento. E o que não está sendo dito?
Milhares de carros vendidos diariamente significam mais dióxido de carbono na atmosfera e bilhões gastos em tratamento de doenças respiratórias com uma população cada vez mais doente. Números recordes na indústria alimentícia com a sofisticação dos alimentos também significam somas exorbitantes gastas para o tratamento de pessoas que sofrem com os males da obesidade e, de quebra, ainda engorda os cofres da indústria de cosméticos.
A malignidade dessa lógica não encontra limites. Leiam as palavras cortantes de Zigmunt Bauman: “O dinheiro troca de mãos quando alguém se torna inválido e o carro é totalmente destruído em um acidente automobilístico; quando advogados elevam seus honorários para cuidar de uma ação de divórcio; ou quando pessoas instalam filtros ou passam a beber água mineral porque a água potável não pode mais ser consumida”. Tudo isso eleva o PIB e é vendido no jornal da noite como progresso.
Desenvolvimento Sustentável não é discurso apenas para gente esquisita e ideológica; nem tema de faz-de-conta nas propagandas daqueles que mais contribuem para o desastre. É para todos, é necessário e é urgente nesses dias do consumo exacerbado antes que essa “zorra desabe”.
AFA Neto
O seu trabalho está excelente, é um material de ponta, vá em frente!
Parabéns!
Rev.Irenio Miranda