
Acabei de chegar de uma visita que fiz a um “velho” e bom calvinista. Infelizmente o Rev. Arnaldo está internado em estado bem precário de saúde numa UTI aqui em Salvador. As lembranças que tenho do idoso pastor são de um homem aguerrido em defender suas convicções teológicas e, sobretudo, litúrgicas. Falava com o dedo em riste e vez por outra colocava de volta ao lugar o seu topete que insistia em cair-lhe sobre os olhos à medida que discursava acaloradamente nas reuniões do presbitério. Enquanto pôde exercer seu ministério pastoral o fez com dedicação e paixão. Contestado muitas vezes, nada, porém, lhe tira o brilho de um ministério íntegro.
Falo essas coisas, motivado pela solidariedade para com o Rev. Arnaldo e a propósito do aniversário de nascimento de João Calvino. No primeiro caso fui informado que o distinto pastor havia confidenciado para alguém da família que, caso ficasse doente a ponto de perder a consciência, gostaria que um pastor fosse até o seu leito orar por ele. Então, chegou a mencionar o meu nome para a tarefa. Não sei o motivo de ter atribuído a mim tal honra. O que sei é que sempre vi o rev. Arnaldo com o respeito que costumo dedicar aos mais experientes no pastorado. Parece que ele percebeu essa deferência de minha parte.
No segundo caso, a história do rev. Arnaldo está ligada à do francês nascido em 10 de julho de 1509. Se Calvino não tivesse existido, provavelmente, o pastor Arnaldo e milhares de outros ao redor do mundo teriam vivido vidas completamente diferentes das que viveram. Seriam, portanto, outras pessoas. Se melhores ou piores, não temos como precisar, mas certamente seriam existências diferentes.
Comecei fazendo menção a um “bom calvinista”. É preciso uma dose de esforço da minha parte para usar com sinceridade o adjetivo acima. É que para aquele que compreendeu corretamente Calvino (e acredite: não foram muitos), os seus ditos herdeiros só contribuíram para manchar sua humana biografia. Alguém já disse que Weber não leu corretamente Calvino. Discordo. O cientista social sequer leu Calvino. Ele leu corretamente o calvinismo que conhecera.
Por falar em cientista social, descobri nas aulas de mestrado numa universidade federal, que poucas pessoas na historia foi tão difamada quanto João Calvino. Aliás, incompreendido pelos de fora e por aqueles que muito se beneficiaram de suas reflexões. Quase todas as mazelas da modernidade são atribuídas a Calvino via calvinismo. O mesmo demérito é atribuído a ele por “protestantes” (talvez a melhor expressão seja “evangélicos”) que em sua imensa maioria seguem lendo na cartilha do arminianismo.
Acho que é essa incompreensão generalizada que me atrai na figura de Calvino. Ele não encontra cidadania em nenhum lugar, senão nos guetos do calvinismo. E mesmo assim, porque fizeram dele o arauto de uma suposta ortodoxia que ele mesmo não reconheceria em sua teologia.
Paremos por aqui. Em homenagem ao reformador de Genebra abrirei uma garrafa de um bom vinho chileno (não tenho dinheiro para comprar um francês), lerei um trecho das Institutas e farei uma prece agradecendo a Deus pela passagem desse homem por essa terra e pedindo que a boa mão do Senhor esteja com o rev. Arnaldo.
Feliz Aniversário meu irmão.
AFA Neto
Falo essas coisas, motivado pela solidariedade para com o Rev. Arnaldo e a propósito do aniversário de nascimento de João Calvino. No primeiro caso fui informado que o distinto pastor havia confidenciado para alguém da família que, caso ficasse doente a ponto de perder a consciência, gostaria que um pastor fosse até o seu leito orar por ele. Então, chegou a mencionar o meu nome para a tarefa. Não sei o motivo de ter atribuído a mim tal honra. O que sei é que sempre vi o rev. Arnaldo com o respeito que costumo dedicar aos mais experientes no pastorado. Parece que ele percebeu essa deferência de minha parte.
No segundo caso, a história do rev. Arnaldo está ligada à do francês nascido em 10 de julho de 1509. Se Calvino não tivesse existido, provavelmente, o pastor Arnaldo e milhares de outros ao redor do mundo teriam vivido vidas completamente diferentes das que viveram. Seriam, portanto, outras pessoas. Se melhores ou piores, não temos como precisar, mas certamente seriam existências diferentes.
Comecei fazendo menção a um “bom calvinista”. É preciso uma dose de esforço da minha parte para usar com sinceridade o adjetivo acima. É que para aquele que compreendeu corretamente Calvino (e acredite: não foram muitos), os seus ditos herdeiros só contribuíram para manchar sua humana biografia. Alguém já disse que Weber não leu corretamente Calvino. Discordo. O cientista social sequer leu Calvino. Ele leu corretamente o calvinismo que conhecera.
Por falar em cientista social, descobri nas aulas de mestrado numa universidade federal, que poucas pessoas na historia foi tão difamada quanto João Calvino. Aliás, incompreendido pelos de fora e por aqueles que muito se beneficiaram de suas reflexões. Quase todas as mazelas da modernidade são atribuídas a Calvino via calvinismo. O mesmo demérito é atribuído a ele por “protestantes” (talvez a melhor expressão seja “evangélicos”) que em sua imensa maioria seguem lendo na cartilha do arminianismo.
Acho que é essa incompreensão generalizada que me atrai na figura de Calvino. Ele não encontra cidadania em nenhum lugar, senão nos guetos do calvinismo. E mesmo assim, porque fizeram dele o arauto de uma suposta ortodoxia que ele mesmo não reconheceria em sua teologia.
Paremos por aqui. Em homenagem ao reformador de Genebra abrirei uma garrafa de um bom vinho chileno (não tenho dinheiro para comprar um francês), lerei um trecho das Institutas e farei uma prece agradecendo a Deus pela passagem desse homem por essa terra e pedindo que a boa mão do Senhor esteja com o rev. Arnaldo.
Feliz Aniversário meu irmão.
AFA Neto
Antônio,
como sempre você faz a leitura dassituações e daspessoas de forma ímpar.
Impossível não admirar-te!
Prossiga!
Parabéns pra Calvino, pro pastor Arnaldo e pro pastor Neto!!
Verdadeiramente são poucos que fazem parte do seleto grupo de homens que mudaram a historia de nossas vidas , e as duas pessoas a quem o Rev.Neto referesse estão inclusas. Obrigado pela sua homenagem a dois grandes homens que mudaram a historia de muitos.Parabéns.
É verdade; ainda continuo querendo descobrir a tênue diferença entre Calvino e o Calvinismo...
Abraço Pastor!
Cara quando leio seus texto confirmo aquilo que é inquestionável; sua genialidade.