
Tenho ouvido muitas queixas relacionadas à psicologização da pregação. Todas justas e legítimas. Os queixosos (eu dentre eles) só não tem conseguido precisar fronteiras. Que as intuições provenientes das ciências da psique são contribuições preciosas para a pregação, ninguém em sã consciência contestaria. O problema, dizem, é o abuso e, o que é pior, o mau uso dessa ferramenta. De fato tem sido desastrosa essa tendência do discurso religioso atual.
Creio que outros males são igualmente preocupantes. Um deles está relacionado àquilo que chamarei de “eticização” da experiência religiosa. O fenômeno pode ser descrito, grosso modo, assim: num mundo onde se fala exaustivamente sobre ética e onde os protagonistas do universo religioso parecem a desconsiderar completamente, o melhor que a experiência religiosa poderia produzir em uma pessoa seria uma melhoria comportamental. Noutras palavras, se o Evangelho conseguir melhorar as pessoas naquilo que concerne aos valores, então, valeu a pena. Maridos fiéis agradam a Deus; pais honestos ensinam seus filhos sobre a santidade de Deus, igrejas decentes e promotoras de espaços sadios são expressões da verdadeira igreja do Novo Testamente, e por aí vai...
Ninguém duvida dos benefícios de se cultivar uma postura ética. Quanto teríamos a ganhar se a sede de comportamento ético nos levasse à indignação e essa, por sua vez, nos levasse às reivindicações inflamadas diante dos parlamentares corruptos e escrotos que pululam em Brasília e nos diversos rincões deste país. Que benção se o mundo se livrasse dos pastores e pastoras que, cansados dos títulos modestos que tinham, se auto intitulam bispos, apóstolos, patriarcas e sei lá o que mais. Gente inescrupulosa e personalista, cheia de ganância e que encontra um monte de otários dispostos a engordar a conta bancária e o ego desses doentes. Ah se desaparecessem deste mundo os lideres eclesiásticos que se especializaram em posturas políticas que deixariam ruborizadas as faces dos Sarneys, Renans, Delúbios e outras figuras desprezíveis. Poderia falar o restante da noite das necessidades éticas dessa nossa sociedade, mormente, da igreja; mas, deixo pra vocês essa tarefa.
O que também me causa estranheza é a supressão da mística na experiência religiosa. Gente que já não consegue transpor o limite do ético, do racional, do teológico. Pessoas que já não conseguem ver a face de Deus nos símbolos cristãos, o toque sobrenatural do Pai num momento de oração simplória, a presença graciosa da trindade no meio da igreja, ainda que esta seja composta por pecadores.
Apesar de tudo, oro a Deus para nunca permitir que eu perca de vista que nem tudo se esgota no que sei, no que vejo, no que sinto, no que entendo e, sobretudo, no que consigo fazer por mim mesmo.
AFA Neto
Quando o senhor diz, que a arte de Michael: "Era dele; não usurpou de ninguém".
São essas palavras que traduzem o motivo de minha admiração a este grande artista.
Parabéns pastor por mais uma vez nos entreter com palavras eloquentes e equilibradas.
Um grande abraço, Adailton Filho
Amei esse trecho "De qualquer forma é melhor ter os sonhos interrompidos pela morte do que deixar de sonhar e aguardar que a morte nos livre do vazio da existência sem sentido." é uma frase pra se colocar no mural em local de fácil visualização, e se me permite é isso que vou fazer.
Gde abraço
Elvis