
Parece pessimista. Principalmente partindo de um dos mais significativos representantes dos sociólogos pós-modernistas, mas se nos dermos ao trabalho de prosseguir na leitura de “Amor Líquido” (Jorge Zahar Editor) veremos uma das mais sensatas descrições do drama da sociedade moderna. Relacionamentos sem compromisso não satisfazem, mas dão uma falsa sensação de liberdade. Relacionamentos com compromisso transmitem segurança, mas trazem uma sensação de claustro. O que fazer?
A cultura pós-moderna parece que já fez a sua escolha. Trocou os relacionamentos por conexões. Plugar e desplugar ao sabor dos ventos. Nada de dedicação, muito menos de relacionamentos duradouros que demandem conflitos a serem solucionados. A individualização conduziu à priorização da liberdade, ainda que se tenha perdido de vista em que realmente consiste o ser livre. Para o ser pós-moderno o outro é o inferno. Passar pela vida tendo que atrelar meus projetos ao bem estar de uma outra pessoa (qualquer vínculo relacional) não faz sentido no mundo da emancipação do indivíduo.
O problema é que o ser humano parece irremediavelmente “condenado” a relacionar-se. Mas, relacionar-se com compromisso, com vínculos duradouros, artesanalmente. Não basta conectar-se, é preciso ser gregário. A promessa de liberdade sem vínculos tem se mostrado vazia. Não dá pra chamar de relacionamentos, contatos sem odores e afagos.
A questão é: Somos capazes de reaprender a arte do relacionamento que nos vincula, mas também nos autentica e nos preenche?
AFA Neto
Olá, Afa. Tudo bem? Sou a Cecília e trabalho na Edelman, que é a agência de comunicação da Jorge Zahar Editor, que publica os livros do Bauman.
Você resumiu muito bem os conceitos de 'Amor Líquido': nada de prender-se ao outro. O que vale é a individualidade. A partir do momento em que o outro não preencher mais as minhas satisfações momentâneas, ela não serve mais...
parabéns pelo blog.
Abraços!