
Deus nos pede. Isso me incomoda e fascina. Ele não precisa, mas nos pede. A teologia nos ensina que Deus para ser Deus precisa ser auto-suficiente (ou seria "auto suficiente"? Não sei e não tenho tempo para pesquisar). Nele não pode haver carências ou demandas.
Com tudo isso em mente leio o texto sagrado e me deparo com um Deus pidão. Da primeira à última página da Bíblia ouço a voz de Deus a nos pedir. Pede reverência, santidade, dedicação, bens e até a nossa vida. Pede inclusive água. Este último pedido, aliás, me ocupou neste domingo. Tá lá no relato do encontro de Jesus com a mulher samaritana no Evangelho de João. Sedento e cansado, não titubeia "Dá-me de beber".
Difícil imaginar o próprio Deus encarnado, aquele que ressussitou um homem com quatro dias de sepultamento, curou cegos de nascença, paralíticos e expeliu legiões de demônios, agora ofegante à beira de um poço escavado há milhares de anos atrás, a pedir água a uma mulher estigmatizada e evitada pelos de sua raça.
Pois bem, que ele estava com sede não me resta dúvida. Agora o que não consigo entender é que o pedido se esgote na satisfação de uma necessidade fisiológica. Pediu sim, mas pediu tambem para ajudar aquela mulher e a todos nós. Para nos ensinar o caminho da renúncia e do desapego. Uma coisa era pedir areia numa região desértica mas, outra completamente diferente era pedir água. Esse pedido tinha um custo e era na capacidade daquela mulher arcar com ele que Jesus estava interessado. Pediu para comungar, pra se relacionar.
A manipulação desse fato tem sido lamentável em nossos dias. Em nome de Deus tem gente exigindo sacrifícios de um povo massacrado e oprimido. Tem gente pedindo água de quem está à beira do poço morrendo de sede. O texto não nos informa se o pedido de Jesus foi atendido, contudo, uma coisa sabemos: quem saiu dali fartamente atendida foi aquela mulher. E foi atendida não nos seus desejos mas, em suas necessidades.
Deus pede.
AFA Neto
Com tudo isso em mente leio o texto sagrado e me deparo com um Deus pidão. Da primeira à última página da Bíblia ouço a voz de Deus a nos pedir. Pede reverência, santidade, dedicação, bens e até a nossa vida. Pede inclusive água. Este último pedido, aliás, me ocupou neste domingo. Tá lá no relato do encontro de Jesus com a mulher samaritana no Evangelho de João. Sedento e cansado, não titubeia "Dá-me de beber".
Difícil imaginar o próprio Deus encarnado, aquele que ressussitou um homem com quatro dias de sepultamento, curou cegos de nascença, paralíticos e expeliu legiões de demônios, agora ofegante à beira de um poço escavado há milhares de anos atrás, a pedir água a uma mulher estigmatizada e evitada pelos de sua raça.
Pois bem, que ele estava com sede não me resta dúvida. Agora o que não consigo entender é que o pedido se esgote na satisfação de uma necessidade fisiológica. Pediu sim, mas pediu tambem para ajudar aquela mulher e a todos nós. Para nos ensinar o caminho da renúncia e do desapego. Uma coisa era pedir areia numa região desértica mas, outra completamente diferente era pedir água. Esse pedido tinha um custo e era na capacidade daquela mulher arcar com ele que Jesus estava interessado. Pediu para comungar, pra se relacionar.
A manipulação desse fato tem sido lamentável em nossos dias. Em nome de Deus tem gente exigindo sacrifícios de um povo massacrado e oprimido. Tem gente pedindo água de quem está à beira do poço morrendo de sede. O texto não nos informa se o pedido de Jesus foi atendido, contudo, uma coisa sabemos: quem saiu dali fartamente atendida foi aquela mulher. E foi atendida não nos seus desejos mas, em suas necessidades.
Deus pede.
AFA Neto
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