
Pior do que o secularismo é a banalização do sagrado. Nossa cultura vive aquilo que alguns estão chamando de “reencantamento do mundo”. Ao contrário de acontecer a superação da mentalidade religiosa, como queriam os profetas do secularismo do século passado, vivemos num mundo povoado por muitos deuses. Pensei nessas coisas lendo o texto do profeta Jeremias no capítulo dezoito do livro a ele atribuído: “Dispõe-te, desce à casa do oleiro e lá ouvirás as minhas palavras”. No Israel da época de Jeremias existia um ritual para cada desejo humano. Dos mais requintados aos mais esdrúxulos, dos mais “inofensivos” aos mais macabros, eram deuses para todos os dias e gostos.
O secularismo continua sendo o campeão das atribuições de culpa pelos descaminhos dos ditos cristãos e das sociedades modernas. Ilação. Sei que alguns me terão como louco, mas não retrocedo. O secularismo serve muito bem aos propósitos daqueles que querem desqualificar desafetos com finalidades nem um pouco nobres. Algumas vezes o que se esconde por trás destas acusações e rotulações são disputas por cargos e status dentro de uma estrutura eclesiástica.
Creiam-me: o nosso problema não é a falta de religião nem de religiosidade e sim a banalização dessas coisas.
Algumas perguntas precisam ser respondidas:
Ainda Restou em nós Alguma Disposição para Buscar a Deus? “Dispõe-te” – Não o deus do mercado com os instrumentos do sucesso mercadológico, mas o Deus que emerge da experiência de fé de homens e mulheres ao longo da história da salvação. Se não temos mais sede de Deus ou se essa sede se confunde com a busca frenética pelas benesses do sagrado, certamente nossa situação é lastimável. É sinal que nossa vida religiosa não passa de um amontoado de ritos, palavras e práticas sem nenhum poder libertador.
De Onde Esperamos Que Venha a Voz de Deus? “desce à casa do oleiro...” – Às vezes buscamos a voz de Deus onde Ele não está falando e de quem não está autorizado para falar em seu nome. Incorremos em um dos dois extremos: ou Limitamos ou Banalizamos. No primeiro caso, anulamos a multiforme sabedoria de Deus. No segundo, anulamos a santidade dAquele que fala.
Não nos esqueçamos que Francisco de Assis conseguia ouvir muito mais a voz de Deus nos sons emitidos pelos animais do que pelas palavras dos pregadores dos seus dias. (Sl 19).
AFA Neto
É notório a disposição dos "crentes" em relação ao banalismo do sagrado. Muitos tem deixado de reverenciar ao Deus verdadeiro para se curvar diante dos seus líderes "pastores,bispos".
Afinal, estes trazem em seus curriculuns vários títulos,e as vezes saem em colunas sociais. Em algumas igrejas os membros se levantam em reverência a entrada destes. Ou seja:Eles ocupam o lugar de Deus na vida deles. Fiquei muito triste em presenciar tal fato, pois vejo que falta a este povo o discernimento da verdadeira Palavra como é citada no próprio texto comentado "um amontoado de ritos, palavras e práticas sem nenhum poder libertador"(Afa Neto).
Partindo da premissa q Deus está em todos os lugares, por que é preciso ligar a Tv para falarem dele de forma sensacionalista? Concordo quando fez alusão à banalização da religiao/religiosidade. Deus agora é pop star" - padres aparecem na "midia" querendo lucrar com o sagrado; empresas se valendo do rótulo de templo" conseguem imunidade tributária p atividades que, em sua essência, não possuem caráter religioso; sem contar uma série de rituais que não possuem nenhum embasamento doutrinário(pôr copo de água em cima da Tv, sessao dos 318 pastores..etc).
O mesmo fenômeno ocorrido nas relações de consumo tem se projetado para o âmbito religioso.Trata-se da "massificação" e impessoalidade entre o líder de determinada "religião" e seus seguidores.Estes frequentam as missas, seguem rituais sem nenhum embasamento. Além disso, valorizam a figura do "pastor", "padre" em detrimento daquilo que deveriam buscar - DEus.
Abraço Neto
Rodrigo Souto
Um mundo sem Religião, será possível? Imagino que sim. Do mesmo modo que o Estado, seria ela uma reprodução da lógical do Capital, que se metamorfoseia e consegue "driblar" todas as possibilidades de fenecimento de sua lógica. Do mesmo modo a família. Ah! essa família que pouco a conhecemos... E há quem diga que ela sempre foi assim: papai, mamãe, filhinhos e bichos de estimação. Lêdo engano. A cada tempo um modo de ser, agir, produzir. Do mesmo modo, temos esse tempo de tamanha perda do ser, onde o consumismo nos remete até a "produzir" uma boa mídia para a (s) religião (ões) [sic].