
Vocês não sabem da inveja que tenho de mim quando tinha a idade da minha filha. Parece loucura, mas me peguei pensando nisso na noite passada. Minha filha de seis anos estava com medo de dormir sozinha e pediu-me para deitar com ela até adormecer. Perguntei qual era o motivo do medo e ela disse-me que estava com medo do escuro, dos monstros dos filmes que assistira naquele dia (todos de animação) e do que não saberia ou não queria explicar. Imediatamente recordei que, na idade dela, tinha medos semelhantes; e foi aí que me bateu aquela inveja de mim mesmo quando tinha a sua idade. Não de tudo que era aos seis anos, mas especialmente dos medos que tinha na época.
Medos na medida certa são importantes. Através deles adquirimos sensatez e prevenção. São os medos que, em grande parte, nos ensinam sobre as nossas limitações. Uma pessoa sem medos é uma pessoa completamente doente. A nossa admiração pela panacéia da educação espartana retratada nos filmes de Hollywood, não encontra correspondência com a realidade de qualquer ser humano. Medo é bom. O problema é que tipo de medo visita nossa alma.
Pois bem, disse que morri de inveja de mim aos seis anos por causa dos medos que assombravam meu universo. Tinha medo do fim do mundo. Hoje, compartilhando o medo de Zeca Baleiro e Elba Ramalho na canção “Drumimês”, tenho mais medo do fim do mês. Aos seis anos morria de medo do escuro; hoje sinto falta de um quarto escuro para uma necessária reclusão vez ou outra. Tenho medo é do excesso de luzes e holofotes que devassam nossa vida roubando nossa privacidade. Em 1975 tinha muito medo de fantasmas; hoje sei que o que suscita perigo é bem mais palpável que uma etérea alma de um “outro mundo”. Ouvi muitas vezes meus pais recomendarem cuidado com os desconhecidos, então, tinha medo de todo rosto estranho. Hoje, confesso, depois de tanto apanhar, “me borro” de medo dos conhecidos. Principalmente daqueles que sabem o que é melhor para mim; daqueles que me chamam de irmão e se escondem atrás dos dogmas e do legalismo de uma religiosidade qualquer. Tenho medo daqueles que, de posse de um posto eclesiástico, perdem a sensatez querendo mudar o mundo, mudando as pessoas sem mudar a si mesmas.
Queria acreditar que enroscar-me em minha mãe ou meu pai me protegeria de tudo e de todos. Queria acreditar que respirar o ar viciado de debaixo do cobertor era o melhor esconderijo contra ladrões e fantasmas. Queria acreditar que, com os primeiros raios do sol, todos os problemas se dissipariam. Queria acreditar que os rostos conhecidos são confiáveis e me farão bem. Queria voltar a ter seis anos para ter os medos que tinha.
Que pena! Minha filha não poderá manter por longo tempo os seus medos...
AFA Neto
Medos na medida certa são importantes. Através deles adquirimos sensatez e prevenção. São os medos que, em grande parte, nos ensinam sobre as nossas limitações. Uma pessoa sem medos é uma pessoa completamente doente. A nossa admiração pela panacéia da educação espartana retratada nos filmes de Hollywood, não encontra correspondência com a realidade de qualquer ser humano. Medo é bom. O problema é que tipo de medo visita nossa alma.
Pois bem, disse que morri de inveja de mim aos seis anos por causa dos medos que assombravam meu universo. Tinha medo do fim do mundo. Hoje, compartilhando o medo de Zeca Baleiro e Elba Ramalho na canção “Drumimês”, tenho mais medo do fim do mês. Aos seis anos morria de medo do escuro; hoje sinto falta de um quarto escuro para uma necessária reclusão vez ou outra. Tenho medo é do excesso de luzes e holofotes que devassam nossa vida roubando nossa privacidade. Em 1975 tinha muito medo de fantasmas; hoje sei que o que suscita perigo é bem mais palpável que uma etérea alma de um “outro mundo”. Ouvi muitas vezes meus pais recomendarem cuidado com os desconhecidos, então, tinha medo de todo rosto estranho. Hoje, confesso, depois de tanto apanhar, “me borro” de medo dos conhecidos. Principalmente daqueles que sabem o que é melhor para mim; daqueles que me chamam de irmão e se escondem atrás dos dogmas e do legalismo de uma religiosidade qualquer. Tenho medo daqueles que, de posse de um posto eclesiástico, perdem a sensatez querendo mudar o mundo, mudando as pessoas sem mudar a si mesmas.
Queria acreditar que enroscar-me em minha mãe ou meu pai me protegeria de tudo e de todos. Queria acreditar que respirar o ar viciado de debaixo do cobertor era o melhor esconderijo contra ladrões e fantasmas. Queria acreditar que, com os primeiros raios do sol, todos os problemas se dissipariam. Queria acreditar que os rostos conhecidos são confiáveis e me farão bem. Queria voltar a ter seis anos para ter os medos que tinha.
Que pena! Minha filha não poderá manter por longo tempo os seus medos...
AFA Neto
Olá Afa amei o texto e as verdades nele contidas tb tenho saudades dos medos da infância e da forma de como davamos fim a eles. parabéns! pelo brilhante texto
abração Indy
Em meu blog também escrevi sobre o medo faz algum tempo:
http://pbparis.zip.net/arch2008-06-01_2008-06-30.html#2008_06-26_03_50_19-100242922-0
Aqui vai a música que me inspirou:
Saudações
Neemias
http://nenapa.blogspot.com
Composição: Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis
Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da
Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da
El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor
Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá
Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar
Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienen miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da
Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor
El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se apierta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar
Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo
Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão
Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez
Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá