
Marcos 8. 22-25
Olho sempre as curas de Jesus como resgates da plena humanidade (em nossos dias usaria a expressão: plena cidadania). Com isso não estou dizendo que uma pessoa que porte uma deficiência qualquer seja em si uma pessoa menos humana. Mas que, os condicionamentos culturais lhes roubam essa condição. Também não estou retirando das curas o seu caráter místico, milagroso e prodigioso. Sei que tudo isso está presente e operante nesses episódios. Contudo, é para a conseqüência de uma cura que meus olhos se voltam com maior atenção.
Outro aspecto que muito me atrai nas curas do NT é sua significação espiritual. Sei que neste terreno se passa, muito facilmente, para uma exegese alegorizante que, quase sempre, desemboca num “vale-tudo” hermenêutico. Mas, mesmo correndo esse risco, não podemos deixar de considerar um conteúdo de “didática espiritual” nestes episódios.
Pensando nisto, gostaria de olhar para essa curiosa narrativa de Mateus como uma iniciativa de Jesus para restituir ao ser humano sua plena humanidade sócio-espiritual e descobrir em Jesus muito mais do que um guru religioso.
Há um consenso em entender esse texto como uma metáfora do que acontece com os discípulos em relação ao conhecimento de Jesus. A cura em dois tempos é o símbolo de um descobrimento processual de Jesus. Na narrativa de Marcos esse texto é um divisor de águas: antes, os discípulos viram e ouviram Jesus, mas o conhecimento que eles tem é imperfeito em relação à sua messianidade; depois, eles passam a aprofundar o conhecimento de Jesus até chegar ao conhecimento do Messias.
Nossa libertação, enquanto seres humanos, está condicionada à nossa descoberta de Jesus como o Cristo de Deus. É desse segundo toque que muitos de nós precisamos para nos livrar dessa religiosidade carcomida que, freqüentemente, vivenciamos. Que tristeza é uma vida presa a processos religiosos que embaçam a nossa visão, sem nos mostrar a abundância de vida que nos foi proposta em Cristo.
“Eles chegaram a Betsaida; trazem-lhe
um cego e suplicam-lhe que o toque.
Tomando o cego pela mão, ele o conduziu para fora da aldeia. Pôs-lhe saliva
sobre os olhos, impôs-lhe as mãos e perguntava-lhe: ‘Vês alguma coisa?’ Depois
de abrir os olhos ele dizia:’Percebo as pessoas, vejo-as como arvores, mas
caminham’. Em seguida, Jesus lhe pôs novamente as mãos sobre os olhos e o homem
viu claramente; estava curado e via tudo distintamente.”
Olho sempre as curas de Jesus como resgates da plena humanidade (em nossos dias usaria a expressão: plena cidadania). Com isso não estou dizendo que uma pessoa que porte uma deficiência qualquer seja em si uma pessoa menos humana. Mas que, os condicionamentos culturais lhes roubam essa condição. Também não estou retirando das curas o seu caráter místico, milagroso e prodigioso. Sei que tudo isso está presente e operante nesses episódios. Contudo, é para a conseqüência de uma cura que meus olhos se voltam com maior atenção.
Outro aspecto que muito me atrai nas curas do NT é sua significação espiritual. Sei que neste terreno se passa, muito facilmente, para uma exegese alegorizante que, quase sempre, desemboca num “vale-tudo” hermenêutico. Mas, mesmo correndo esse risco, não podemos deixar de considerar um conteúdo de “didática espiritual” nestes episódios.
Pensando nisto, gostaria de olhar para essa curiosa narrativa de Mateus como uma iniciativa de Jesus para restituir ao ser humano sua plena humanidade sócio-espiritual e descobrir em Jesus muito mais do que um guru religioso.
Há um consenso em entender esse texto como uma metáfora do que acontece com os discípulos em relação ao conhecimento de Jesus. A cura em dois tempos é o símbolo de um descobrimento processual de Jesus. Na narrativa de Marcos esse texto é um divisor de águas: antes, os discípulos viram e ouviram Jesus, mas o conhecimento que eles tem é imperfeito em relação à sua messianidade; depois, eles passam a aprofundar o conhecimento de Jesus até chegar ao conhecimento do Messias.
Nossa libertação, enquanto seres humanos, está condicionada à nossa descoberta de Jesus como o Cristo de Deus. É desse segundo toque que muitos de nós precisamos para nos livrar dessa religiosidade carcomida que, freqüentemente, vivenciamos. Que tristeza é uma vida presa a processos religiosos que embaçam a nossa visão, sem nos mostrar a abundância de vida que nos foi proposta em Cristo.
AFA Neto